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 Uma Inglesa no Porto

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Pii
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Eu consigo, eu estou aqui
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MensagemAssunto: Uma Inglesa no Porto   Dom 20 Jun 2010, 08:22

Comecei a escrever esta história há quase dois anos... Não tenho bem noção do que é uma fanfic, portanto, se não se adecuar, retirem-na do forúm...

Obrigada... A história chama-se Uma Inglesa no Porto. Espero que gostem...

Capítulo 1

Observei a paisagem que provinha da minha janela do meu quarto. A partir da mesma avistava-se um parque de crianças com um jardim cheio de bancos de madeira e pintados de verde. Era uma vista simples mas, agradava-me.

Agora, que vivia nesta casa, a minha vida tinha melhorado bastante. Nada de habitar em arranha-céus, como acontecia em Nova Iorque, nem viver em grandes mansões, como o que acontecia naqueles bairros chiques de Paris… A minha vida tinha sido atribu­lada. Até então, os meus pais tinham sido emigrantes e tinham-se embrenhado na aventura da descoberta de como seria a sua vida se, vivessem em Manchester, Madrid, Paris, Londres, Japão, entre outras cidades. Éramos obrigados a admitir que tinham triunfado na vida e agora que se encontravam frágeis e envelhecidos possuíam o direito de descansar.

- Portugal – diziam eles com um brilhozinho nos seus olhos baços da idade – É para aí que queremos partir… nós queremos regressar. Queremos voltar para o nosso país natal, é assim tão difícil de entender?! – E eu abanava a cabeça em sinal de não, não era difí­cil de compreender, era difícil sim, ter que me separar dos meus amigos, ter que me separar de tudo aquilo que conhecia desde os meus seis anos. Os meus pais fariam tudo por mim e eu, tudo igual­mente… Por isso é que aos meus seis anos decidiram acabar aquela odisseia de países, por terem medo de eu não me conseguir adap­tar… Tenho que admitir que nunca fui uma criança adaptável, mas isso, nunca teve problema, eu entreter-me-ia com as minhas bonecas e as minhas cassetes de vídeo… Mas, agora, com o que me ia entre­ter?! Por amor de Deus, tenho dezoito anos, sou maior e vacinada!

- Não vou – respondi secamente – Estou bem, onde estou e não quero abandonar o Matt. - A minha mãe olhou para mim com os seus grandes olhos castanhos e fez um beicinho, ao qual sabia que eu nunca resistia, mexi-lhe no seu cabelo grisalho, ternamente, para ela ver que não havia maneira de me arrancarem dali. De seguida, olhei para o meu pai que, apesar, não pôr creme para as rugas como a minha mãe, tinha o tempo menos pesado no seu rosto. Ele obser­vou-me com aqueles olhinhos afáveis que possuía, e eu sorri… já sabia que eles se tratavam de pessoas bastante perseverantes e se alguém me convenceria a ir para esse país minúsculo plantado à beira-mar esse alguém, seria os meus pais.

Escusado é dizer, que quando dei por mim já estava enfiada num avião de Londres (ai, a minha terra, Londres) para esse tal de Portugal, mais propriamente para Lisboa… No caminho, fui o tempo todo a pensar no que haveria de explicar a Matt, tinha de aceitar que não existia desculpa possível, tinha embarcado para um país total­mente diferente, quer em cores, em cheiros, quer nas gentes… Os meus pais obviamente que mal aterraram foram dar uma volta à sua aldeiazinha perdida, em Trás-os-Montes. É uma aldeia bonita tenho de admitir, mas… A certa altura, o meu pensamento foi interrompido pelo riso dos meus pais e de umas pessoas que nunca tinha visto na vida… Quem seriam essas pessoas? Qual seria o nome da terra onde eu estava? Necessitava de saber… Então, embrenhei-me pelo campo dentro e procurei as minhas respostas… Era óbvio, que dentro das plantações de cereais onde estava na altura, não ia encontrar nenhuma resposta às minhas questões, então voltei para ao pé deles e rezei para que se despachassem, pois queria ir para casa que estava cansada de mais para mais aventuras dentro do campo de cereais.

- Então, a tua menina gosta de cenouras? Acabou de sair da parte, da horta, onde as tenho plantado… – Comentou um dos personagens, perplexo, que palreava com os meus pais. O meu pai observou-me ao longe enquanto agitava os braços desajeitadamente para afastar um escaravelho que tinha avistado, (nunca consegui esconder o medo que tenho de insectos), não ia ser hoje, que ia resis­tir ao receio de este me atacar… A minha mãe olhou para mim com ternura e disse para o meu pai:

-Artur vai enxotar o escaravelho à miúda! Não vês que a pequena está cheia de medo? – Lá medo tinha eu, mas, vontade para o admitir, não havia nenhuma. O meu pai, agachou-se e agarrou naquele monstro e atiro-o sem o aleijar para longe… Era ridículo eu chamar uma pessoa com metade do meu tamanho para me salvar de escaravelho, um bicho muitíssimo pequenino. Uma coisa que sempre odiei foi que me chamassem de pequena… Mas, engoli o meu orgulho e entrei dentro do meu carro, cruzei os braços em sinal de protesto e declarei que me queria ir embora. A minha mãe e o meu pai ignoraram-me a primeira vez e eu acabei por repetir uma segunda e até uma terceira. Continuaram a fingir que não me conse­guiam ouvir… Até que me fartei e respirei fundo para que os meus pulmões deixassem entrar oxigénio e gritei em plenos pulmões “ESTÃO SURDOS! EU QUERO IR PARA CASA!” e por uma vez na vida me deram toda a atenção do mundo…

- CARAMBA! – Continuei – será que ninguém me dá aten­ção? - Os meus pais e os seus velhos amigos ficaram boquiabertos comigo, mas, nem um som deixaram escapar… Foi como que o tempo parasse e todos à minha volta também. Nem um piscar de olhos, nem uma respiração… Então, tudo ficou claro naquele momento: eu não queria viver naquele sítio nem morta.

- Eu – dei um hum para tornar a minha voz audível e para ficar com a mesma mais doce – Estou exausta, necessito de um local para repousar.

- Se quiserem podem ficar em minha casa – ofereceu-se uma senhora que estava envolvida na conversa. Eu olhei a mulherzinha de cima a baixo, esta tinha a cabeça envolvida num lenço com vários rabiscos e no corpo possuía uma bata às flores cor-de-rosa e roxas e nos pés uns ténis sem marca já todos esfolados, podia-se topar à légua que aqui só viviam pessoas trabalhadoras, pois, todos se ves­tiam praticamente da mesma maneira, ou então era moda… eu observei as pessoas e senti-me um pouco out, que vergonha! A rainha da moda lá e cá estava simplesmente fora…! Voltei à reali­dade e fingi que tinha estado a ouvir tudo o que me disseram… quando os meus pais me perguntaram “O que é que achas?”, eu limitei-me a sorrir desajeitadamente e anuir com a cabeça… sempre que os meus progenitores me perguntavam o que acha queria dizer, decide-te ou sim ou não… A resposta pareceu agradar a senhora, que nos tinha convidado, que se ofereceu para fazer o jantar e para nos fazer as camas. Os meus pais agradeceram a sua generosidade e seguiram atrás da mulherzinha em fila indiana, tão direita que me fez lembrar a mãe pata com os patinhos atrás.

Mal entrei, pousei as coisas e a mulherzinha dirigiu todos para os seus quartos. O meu, tinha as paredes amarelo-canário, o edredão e o tapete também na mesma cor. E, o dos meus pais, tinha as paredes, o edredão e o tapete num azul tão profundo como o mar. Tudo isto era muito relaxante, mal cheguei lá e me deitei por cima do colchão, acabei por adormecer rapidamente.

No dia seguinte acordei dando por conta que tinha perdido o jantar da noite anterior por ter estado tão cansada. Espreguicei e sentei-me na cama, lembrando-me da quão injusta tinha sido para com os meus pais. Esfreguei os olhos, calcei os chinelos em forma de coelhos cor-de-rosa que tinha à mão (quem me mandou esquecer das minhas pantufas em casa?) e desabotoei os botões do meu pijama para envergar a minha mini-saia aos quadrados vermelhos e pretos que tão na moda andava… De seguida, procurei na confusão da minha trolley a minha camisa vermelha de manga curta e a minha gravata negra. Tinha encontrado tudo. Perfeito! Desci rapidamente para dar os bons dias a toda a gente que habitava naquele espaço. Mal avistei os meus pais, berrei um “Bom dia” bastante audí­vel e ofereci a cada um beijo para comprovar a minha sinceridade do meu desejo. De seguida sentei-me e olhei para os meus progenitores que me olhavam como se fosse de outra galáxia. Era fácil com­preender porque é que me tratavam assim. Nunca tínhamos discutido na vida, era essa uma das únicas razões… Também os tinha enver­gonhado perante todos na aldeia. E isso era imperdoável. Era a mesma coisa que eles decidissem ir à minha universidade de Lon­dres e me dessem uma chapada à frente de todos. Eu iria sentir-me humilhada perante todos e devia ser assim que eles se sentiam hoje. Estavam estranhos, parecia que tinham mais dez anos em cima do que o habitual. A minha mãe não se tinha maquilhado como sempre e o meu pai tinha a sua camisa cor-de-rosa choque com uma nódoa daquelas que não fazemos a mínima ideia o que seja, mas, que temos noção que nunca mais sairá na nossa vida.

- Então… - comecei – Estão a gostar de estar aqui hospeda­dos? – Eles viraram a cara para não ter de me responder. Por isso continuei o meu monólogo – Sabem é muito agradável estar aqui… Comida boa – esbocei um sorriso esforçado, enquanto Maria, a senhora que nos tinha oferecido abrigo ontem, me depositava torra­das quentinhas acabadas de fazer no meu prato pintado à mão nas cores azul e branco, com uma camponesa a dar comida aos porcos. Parecia um prato antigo. Mas, estava muito bem conservado. Maria também esboçou um sorriso sincero e perguntou-me se queria mais. Eu anui e quando a vi afastar-se comecei a empanturrar-me em tor­radas. Maria tinha continuado com a roupa do dia anterior. O que era estranho para mim… pois, como sempre tinha sido uma menina rica da cidade e ininterruptamente tinha tido tudo o que queria, por isso mudava de roupa todos os dias. Mas, esta senhora talvez não tivesse tido uma vida como a minha e sempre tivesse vivido aqui e possi­velmente fosse um dos casos muito falados de pessoas que nunca tinham visto o mar… Decidi não dar despender mais atenção à figura daquela simpática mulher, soltei um suspiro e continuei o meu monólogo - Desculpem ter gritado convosco, sim? – Quando proferi esta frase, eles finalmente me prestaram atenção. Por isso continuei – Isto está a ser difícil para mim e aposto que também está a ser para vocês os dois! Estou certa?

- Sim – retorquiu o meu pai com os seus olhos negros e bai­xou a cabeça – É muito difícil… Estamos sem casa nem nada.

- É necessário encontrar uma! – Concluiu a minha mãe.

- Eu despacho-me rapidamente! – Prontifiquei-me – Já estou vestida, só me falta calçar as minhas sabrinas, lavar os dentes e pen­tear o meu cabelo! Já acabei de comer as torradas e já vou!

Arrastei a cadeira onde estava sentada e, ao encalar num dos mosaicos do chão, esta tombou e eu tombei com a mesma… Levantei-me bastante atrapa­lhada, sorri desajeitadamente e sai a correr para a casa de banho, para me pentear e lavar os meus dentes. A casa de banho ficava mesmo ao lado da cozinha, onde nós estávamos. Por isso, cheguei rapidamente aos lavabos, onde escovei os dentes, até eles se mostra­rem extremamente brancos e brilhantes. Em seguida, escovei os meus longos e lisos cabelos castanho-avelã e aqueles que não conse­gui desempecilhar foram penteados com o meu pente, que desemba­raçava melhor que a escova. Observei-me no espelho, grande e qua­drado que se encontrava na casa de banho, para ver se tinha os den­tes bem lavados, ajeitei melhor o cabelo e dei uma volta para ver como me ficava a roupa que tinha vestido, e, satisfeita comigo pró­pria, abandonei o local onde me encontrava. Passei pela cozinha e chamei os meus pais, que ainda se encontravam a tomar o resto do pequeno-almoço, estes decidiram partir em seguida a esta refeição… Então, entrei no carro que tínhamos comprado em Lisboa e rumámos para onde o vento nos levava à procura da nossa, tão desejada habita­ção. Podíamos dirigir-nos até ao Algarve, podíamos dirigir-nos até ao Alentejo, ou, até regressar a Lisboa. Mas, o nosso instinto não nos permitiu. Portanto, seguimos umas placas que tinham como destino o Porto… Ah, Porto…! Já tinha ouvido falar tão bem a teu respeito. A Torre dos Clérigos, o estádio do Dragão… O meu pai era portista ferrenho, mesmo em Londres, apresentava cachecóis do clube por todo o sítio da casa e tinha uma sala com réplicas de troféus que o clube tinha ganho ao longo do tempo, nesta, pela qual tinha grande estima, não entrava ninguém se não pessoas de confiança da família e amigos muitíssimo próximos. Tenho que admitir que só pude entrar no seu verdadeiro templo dedicado ao clube azul e branco quando fiz dezasseis anos. Pois, tudo o que o recheava eram autênti­cas relíquias para o mesmo e este vivia com medo que alguma das minhas brincadeiras de criança lhe arruinasse todo o seu império de obras-primas, criadas com o maior detalhe para parecer os troféus ganhos pelo clube. Eu, quando criança, eu gostava de me sentar ao colo dele, na sala de estar e ouvi-lo falar sobre os jogos mais impres­sionantes que tinham ganho. Eu, própria, quando dava por mim já roendo as unhas das minhas delicadas e pequenas mãos, da ansie­dade do momento seguinte… Deve ser por isso que, as minhas mãos estão numa total miséria. Porém, quando decidimos vir para Portu­gal, o meu pai teve que abandonar a sua tão adorada colecção e deixa-la nas mãos de um amigo próximo, o qual, em inglês, ele era inglês, comprometeu-se-lhe a tratar com todos os cuidados das suas “jóias da coroa”.

Agora, em Portugal, movia-nos a caminho do Porto… Não sei bem, o porquê. Mas, a resposta que tenho mais próxima da reali­dade é esta e acredito plenamente nela. Era simples… O meu pai decidiu residir no Porto para estar mais chegado aos Dragões… Era esta a minha realidade e continua a sê-lo.

Mal chegamos, já rondava as 13.30h e estávamos famintos, por isso, quando avistamos a primeira taberna, decidimos parar para nos alimentarmos de qualquer coisa… Não existia problema de ser uma bifana, uma sopa de caldo verde ou outra coisa qualquer… Até mesmo bife com batatas fritas! Não sei porquê, mas desde sempre odiei este prato, apesar de quase todos gostarem. Podia comer coisa… Desde que fosse comestível, obviamente!

O meu pai chegou junto ao balcão e pediu a ementa. O dono da taberna mostrou os seus dentes amarelos de tanto fumar e danifi­cados com cáries de não os tratar com deve ser e em tom de gozo, retorquiu:

- Meu amigo, não estamos em nenhum restaurante cinco estrelas… Isto é uma taberna! Não existe nenhum tipo de ementa. O senhor escolhe: ou sopa do dia, bifana ou entremeada! Agora decida-se!

O meu pai bastante humilhado, endireitou a gravata negra e o casaco de 500 euros da mesma cor e ajeitou o cabelo recheado de gel. Endureceu a voz e ripostou o taberneiro da pior maneira possí­vel. Digamos que não foi uma maneira muito inteligente de conse­guir aquilo que queríamos: comida, pois o meu pai juntamente con­nosco foi posto fora do estabelecimento pela sua falta de educação.

A minha mãe jura a pés juntos que eu sou mais parecida com o meu pai do que com ela. Num conjunto de mau feitio e de seme­lhanças quanto à forma do nosso corpo não há quem nos ganhe!

Olhei para a porta da bodega, enquanto o funcionário que tinha criado toda esta confusão a fechava e levantei-me rapidamente e comecei aos murros e aos pontapés à porta e aos gritos para cha­mar a atenção. Nada feito. Cinco minutos depois vimos os veículos das autoridades em auxílio do taberneiro para, talvez nos enviar para uma noite bem dormida na esquadra, por isso, atenuámos os clamo­res e fingimos que estávamos apenas de passagem e retomámos o nosso caminho pelo passeio em frente.

Agora, estávamos ainda pior. Perdidos e esfomeados pelas ruas e avenidas do Porto, nada podia piorar… achava eu!

Passávamos pelas montras e eu ia-me alegrando por saber que afinal andava na moda. Passamos por lojas recheadas de roupas de marca absolutamente incríveis e quando dava por mim estava encantada por tanta coisa maravilhosa estar exposta nas montras daquela cidade. Até que a uma certa altura quando acabei de visuali­zar outra vitrina estupenda, abri os olhos para a realidade quando reparei que estava sozinha… Aquilo, de dia, não era nada assustador, mas e à noite?! Enquanto toda a gente normal dormia e só os mafio­sos andassem na rua?! Engoli em seco e fiquei realmente apavo­rada… Sentei-me num banco de ferro e lembrei-me do meu telemó­vel, fiquei feliz por já existirem estes pequenos brinquedos electró­nicos e sorri, estava safa! Quando joguei a minha mão direita à minha saia, a felicidade evaporou-se, a minha saia não tinha bolsos! Como podia ter sido tão ingénua e ter deixado o telemóvel na mala da minha mãe?! Juntei as pernas à barriga em acto de desespero total e comecei as chorar… Em imediato, ergui-me, limpei as lágrimas e decidi procurar alguém naquelas ruas desertas que me indicasse onde era a policia… Tentei localizar alguém à minha frente e depois, ao girar sobre mim mesma (para tentar encontrar alguém atrás de mim), embati sobre um rapaz que me olhou de forma estranha. Os seus olhos cinzentos incidiram nos meus castanhos-avelã e eu finalmente me senti segura e sorri, estendendo-lhe a mão em sinal de cumpri­mento.

- Sou a Caterine – disse com um sorriso nos lábios.

Ele desconfiadamente olhou para a mão que eu estendia, examinou detalhadamente a mesma e depois sorriu igualmente, apertou-a e respondeu:

- Isaac. Prazer em conhecer-te! – Então eu continuei…

- Sabes… - fiz uma pausa para o estudar com melhor perfei­ção. Os seus cabelos castanhos agradaram-me e o seu sorriso calo­roso também – Ando à procura de uma esquadra da GNR ou PSP, onde possa pedir ajuda!

- Pedir ajuda?! Para quê?

Eu levei a mão ao meu cabelo castanho-avelã e ripostei, bai­xando a cabeça:

- Perdi-me… Sou nova por estas bandas e, quando não se conhece os sítios onde estamos é fácil perdemo-nos….

- Coitada! Segue-me! Eu conheço o Porto, melhor que conheço a minha casa! De onde eras?

- De Londres. Porquê? Passas pouco tempo em casa?

- Eu não tenho casa – Sorriu – Moro num orfanato, os meus pais partiram em busca de uma vida melhor para Nova Iorque, quando tinha dois anos. Hum… Londres – disse com um ar pensa­tivo – Terra bonita, hã? Os meus pais para se redimirem de me terem abandonado, mandam dois bilhetes de avião, todos os anos, para eu conhecer o mundo… Giro, não?

- Pois… - respondi secamente – deve ser difícil, não?

- Nem pensar! - Disse alegremente – Posso fazer tudo o que quiser que não ligam nenhuma! Sou o pobrezinho! Abandonado pelos pais em criança, sempre que faço asneira saio sempre ileso delas!

- Nem sentes sequer um bocadinho a falta deles?

- Nunca senti! Nem me lembro deles! Se eles não sentem a minha falta, porque hei-de eu sentir a deles? – Estranhamente atri­bui-lhe a razão! Era bastante simpático, mas havia algo estranho nele – Chegamos! Queres que te faça companhia lá dentro, ou vou-me embora?

- Tão rápido? Fica comigo! És a única pessoa que conheço cá! Não me abandones!

Então entrámos. Eu fiz a minha queixa e entreguei o número de telemóvel dos meus pais. E aguardei… Aguardei por pouco tempo, mas esperei… Rapidamente, os meus pais chegaram e agra­deceram ao Isaac tudo aquilo que o mesmo fez por mim. Eu também estava grata. Mas, não dei tanto nas vistas. Apenas sorri e dei-lhe um beijo na face…

- Até um dia destes – despedi-me e ele sorriu.
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